S. Lourenço de Alqueva
O Vocábulo "Alqueive" que designa "terra em pousio" pode estar na origem toponímica desta Freguesia, embora em árabe possa designar "casa quadrada". A designação "Alqueva" surge já anexa à designação sagrada de S. Lourenço num documento datado de 1262, também ele recolhido no Livro dos Bens de D. João de Portel, que trata do rendimento das igrejas do novo termo de Portel mencionando-se já nesse rol a igreja de "S. Laurentii de Alqueva". Conclui-se assim, que a área correspondente a esta Freguesia já era povoada na segunda metade do Sec. XIII embora dispersa por várias herdades cuja actividade agrícola pode ter contribuído para a designação da Freguesia.
A área da Freguesia fez parte, desde o início, das terras concedidas pelo Rei D. Afonso III ao seu mordomo-mor D. João Peres de Aboim as quais viriam, juntamente com outras, a constituir o novo termo de Portel inserido entre o termo de Évora, Beja e Monsaraz.
A Igreja paroquial com o orago a S. Lourenço de fundação medieval foi melhorada após a Visitação do Cardeal-Infante D. Afonso em 1534. A actual obra de arquitectura é o resultado de intervenções posteriores a 1755.
Possuí ainda esta povoação a pequena Ermida de Santo António provavelmente datada do Sec.XVII.
Referências Históricas:
Localização e Toponímia: “Esta aldea e Freguesia está parte situada em valle e parte em monte no convexo da serra da villa de Portel”(1758)
Sociais e Humanas: “(...) são os naturais deste lugar e freguesia, homens corteses, obedientes á justiça, e amigos de a executarem(...), são também resolutos e determinados(...) astutos e valorosos.(1730)”
Patrimoniais: ”(...) do alto ou monte aonde está situada a ermida de Santo António, se descobre a Villa de Monsaraz, que dista desta freguesia quatro léguas” (1758)
Recursos naturais, ambientais e aquíferos: “Faz divisão do termo desta vila (Portel), por este lugar e Freguesia, Rio Guadiana, rio navegável e digno de muita singularidade, que deste lugar fica distante uma pequena légua e participam o bem, não só, de terem abundância de peixes ( barbos, eyrozes, picoens, bordalos e bogas e pexes pequenos que de todos é abundante), mas também de terem muitos moinhos para a factura de farinhas, cujas águas também são salutíferas para o corpo(...) para fazerem comer, e tirar fastio porque passam por muitas tramagueiras (...) e usando dela em banhos, têm curado muitas enfermidades.(1758)”