A povoação hoje denominada Vera-Cruz possuiu em tempos a designação de Marmelar ou pelo menos era conhecida como o lugar de S. Pedro de Marmelar em documentos do Sec:XIII constantes do "Livro de D. João de Portel".
Estabelecido D. João Peres de Aboim no novo termo de Portel, fez doação da sua herdade do "Marmelal" à Ordem Hospitaleira de S. João de Jerusalém, depois de Rodes e por fim de Malta, da qual era Mestre o prior Afonso Pires Farinha e onde se veio a constituir a Comenda de Vera-Cruz.
Nesse herdamento procedeu-se à construção ou reconstrução, porquanto é possível já existir no local um monumento visigótico, de um Mosteiro dedicado a S. Pedro e conhecido por S. Pedro de Marmelar. É este templo que irá receber, provavelmente depois de 1278, a célebre relíquia da Vera-Cruz (Santo Lenho- verdadeira Cruz de Cristo) "que se supõe ter sido adquirida na Palestina, durante a 7ª Cruzada do Ocidente". Esta relíquia era destinada à Sé de Évora não ficando lá de imediato, por o novo edifício ainda se encontrar em construção. Recolhida a relíquia em S. Pedro de Marmelar e iniciando-se aqui fervorosa veneração que se alastrou a todo o País tendo, inclusivé, estado presente na Batalha do Salado como talismã do exército do Rei Afonso IV, verificou-se oposição à sua retirada para a Sé de Évora originando "a fragmentação do Santo Lenho em duas partes - uma para ficar em S. Pedro de Marmelar e outra destinada à Igreja Eborense".
O edifício mais importante da povoação é a Igreja-Mosteiro que recolhe a relíquia do Santo Lenho e onde também está sepultado D. João Peres de Aboim. A estrutura arquitectónica medieval apenas se denota na cabeceira sendo os restantes componentes resultado de intervenções posteriores.
Possui ainda esta Freguesia as Ermidas de Santo António e de S. Sebastião.
Referências Históricas:
Localização e Toponímia: “Fica este (lugar) distante da Vila uma légua, sendo sítio aprazível, ameno, e salutífero, pois não consta que em tempo algum fosse contaminado de Peste, antes nos anos de 1579 e 80, foi refúgio de muitas Pessoas, e especialmente do senhor Dom Teotónio de Bragança, Arcebispo de Évora” (1730)
Sociais e Humanas: “As pessoas deste lugar passam quase todos com abundância e providência bastante, por serem afazendados, e são tratavens, políticos e de bom termo.” (1730)
Patrimoniais: “há no dito lugar,-dois lagares para a factura e fábrica do azeite, um da Comenda, dos particulares outro.” (1730)
Recursos naturais, ambientais e aquíferos: “tem o dito lugar, soberanas vinhatarias, boas hortas, farregiaes, e um bom ramo de olival na extensão.”(1730); “Todo o mantimento e frutos deste lugar, são excelentes, e não só por fama antiga mas de presente, consta são os vinhos de Vera Cruz os mais selectos: as águas são maravilhosas, e maior maravilha merece a água da Fonte Santa, que ainda hoje persevera com este nome”(1730); “Os matos que há nesta freguezia constam de estevais, sobreirais, e azinhais, e medronhais, e mortonhais; no distrito da mesma freguezia há algumas pedreiras de pedra mármore; na serra há muytos matos de qualidade já referida, que servem, roçando-se, e queimando-se, de semiar trigo, senteyo, e sevada. A serra tem muyta criaçam de porcos javardos, lobos, zorras, e cassa de todos os géneros”(1758); “Neste lugar há quatro fontes de admirável agoa, e estas nunca se secárão, ainda nos annos de mayor esterilidade.” (1758)